O dilema de nascer brasileiro

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Praça Sete de Setembro, Belo Horizonte, M

Nascer no Brasil pode significar enfrentar prematuramente um dilema imposto muitas vezes pelos próprios pais. A lealdade forçada a um time de futebol é uma tradição familiar e não simplesmente um processo induzido. Não é a prontidão da mídia externa que exclusivamente facilita o acesso ao entretenimento, abastecendo mercados multibilionários e transformam torcidas em guerrilhas dispostas a sangrar – afinal, só é manipulado quem se deixa manipular.

Todos nós queremos nosso lugar ao sol; nascemos com a urgência de lutar pelo que acreditamos e queremos assistir quem nos representa triunfar. É por isso que nossos queridos pais brasileiros criativamente volveram suas paixões políticas para o futebol e, instintivamente, de forma a proteger seus filhos de uma verdade miserável, rapidamente os engajaram em uma realidade apaixonante e potencialmente feliz nos estádios, os únicos lugares onde existe a chance real de vitória dos meus verdadeiros representantes.

A total descrença política protagonizada por 500 anos de traumas acumulados cultivaram o medo e convenientemente criamos um motivo artificial para nos sentirmos vitoriosos e especiais. Esse orgulho doentio possibilitou o termo “Pátria de Chuteiras”, que, por sinal , já está caindo em desuso à medida que a conscientização percorre as famílias brasileiras e a fé é reestabelecida.

Na medida em que o medo vai se dissipando já podemos torcer por coisas inéditas ou até mesmo ir além e vestir a camisa da coragem e marcar gols para a humanidade, atacando a ganância e defendendo a igualdade.

Técnico em administração pelo SEBRAE MG e Bacharel pela PUC Minas.