Baixa auto-estima? Seja seu melhor amigo agora mesmo

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Como ser o seu melhor amigo e combater a baixa auto estima?

Se você não sofre de baixa auto-estima, provavelmente conhece alguém próximo que passa por esse problema. Uma constante invisível em nossa sociedade, que é diariamente alimentada pela mídia

O materialismo como remédio para a baixa auto-estima

A baixa auto-estima está muito presente nos jovens e adultos da nossa era. Os consultórios de terapias estão repletos de casos de ansiedade, estresse e solidão. Quando não há busca pela cura, a tentativa de melhorar a auto-estima volta para o materialismo, usando-o como um paliativo para o desequilíbrio.

O remédio para se sentir bem acaba justificando a aquisição de roupas, produtos e aparelhos. Ao invés de curar a sensação de desconforto consigo mesmo, a externalização negativa do sentimento induz à necessidade de comprar, adquirir e experimentar.

O nosso século está marcado pelo consumismo exagerado, festas e distrações diárias. As estratégias de marketing, aliadas à neurociência, estão mais apelativas, e fica muito difícil resistir às novas tecnologias que querem sempre trazer o “melhor” produto ou serviço.

Sem sequer raciocinar, adquirimos o “melhor” mesmo quando o bom já basta. E não é à toa que os lançamentos estão com intervalo de tempo mais reduzido. Quem necessita frequentemente da boa sensação de “nova aquisição” normalmente está em divórcio consigo mesmo, uma vez que sua própria existência não é o bastante.

O problema da auto-estima terceirizada

Já reparou em casais que sempre discutem, discordam, brigam e escolhem pôr um ponto final no relacionamento porque o parceiro não muda? Por mais absurdo que isso pareça, acredite: ainda existem (muitas) pessoas que sempre justificam um término na inconformidade com a personalidade do outro. É sempre o outro e nunca “eu”.

Normalmente, aqueles que sempre veem um problema no parceiro e se mostram impacientes são os que mais tem necessidade de estar sempre acompanhados de amigos. Se envolvem em um relacionamento seguido do outro e dificilmente passam um período longo de tempo com o status de solteiro.

Podem argumentar que querem, inclusive, “beijar muitos sapos antes de conhecer a realeza”, ou que a vida desregrada é sinônimo de felicidade. Mas quando olhamos para o interior, vemos pedaços quebrados do que seria a segurança de si e a auto-estima.

A verdade é que essas pessoas tem muita dificuldade de passar um tempo consigo mesmas, entendendo sua própria personalidade. E, ao invés de se conhecer e se estudar, preferem mais paliativos, que podem ir do materialismo aos relacionamentos de qualquer tipo – e que dificilmente vão ter um final feliz.

O novo paradigma da consciência

Mesmo com o ciclo vicioso descrito acima, algumas pessoas estão buscando alternativas para tentar um estilo de vida mais leve e desapegado. Percebem que a aquisição de coisas ou que a presença constante de amigos ao seu redor não contribui para casos de baixa auto-estima.

Terapias tradicionais e alternativas ajudam a entender melhor qual é a barreira que faz com que o conhecimento próprio seja substituído por algum paliativo. O problema é que ainda falta conhecimento prático de como se tornar uma pessoa cuja própria presença é o bastante para sua felicidade!

Uma conversa constante a dois

“A intimidade é um problema”. Essa frase, ao pé da letra e em casos negativos, é uma verdade inclusive para quando estamos sós. Temos diálogos internos a cada segundo do dia, quando nossos sentidos fazem disparar reações de pensamentos, sentimentos e emoções.

Nos tornamos tão próximos da nossa personalidade que acabamos julgando mais do que refletindo. Ignoramos sensações de desconforto, porque, afinal, de paliativos o mundo está cheio.

Algumas vezes, percebemos que temos um ponto importante que precisa ser trabalhado para nos tornarmos pessoas melhores e mais agradáveis, mas negligenciamos sem perceber. Por isso, te convido a refletir sobre uma simples pergunta:

Se você hoje estivesse sentado de frente a você mesmo, tendo uma conversa casual, você gostaria da sua companhia?

Chame a sua própria companhia

Imagine que você chamou um grande amigo para tomar um café e ver o movimento na praça. Vocês querem colocar o papo em dia.

Normalmente, uma conversa entre amigos começa com perguntas sobre a família, o trabalho, os relacionamentos. Amigos se preocupam com a felicidade e a realização do outro. E quando percebem que algo está errado, oferecem conselhos de como melhorar determinada situação.

Quais conselhos você ofereceria ao seu amigo se ele te contasse que está com dificuldades no relacionamento, não está satisfeito com o trabalho e que parece que tudo dá errado? A primeira coisa a se fazer é tentar buscar a origem que causa esses problemas, e atuar nela.

O entendimento e empatia pelo seu amigo devem acontecer com você mesmo. Se você não se sente desejado, pare e busque entender a causa. Essa meditação significa um contato íntimo e muitas vezes pode ser dolorida. Perceba que aqui não estamos falando de posição de lótus e a vida de um yogi.

Durante o dia, tire algumas pausas para uma conversa rápida de corredor. Use 3 minutos do seu intervalo para dar um “oi, tudo bem” para você mesmo. Aos poucos, isso se torna um hábito.

Desdramatização

Quando tudo parece estar perdido para seu amigo, você vê uma luz ao fim do túnel. Você entende que o problema dele é muito menor do que ele mesmo percebe, pelo simples fato de ser um observador externo.

Quando a pessoa está no meio de sua dor, qualquer outra coisa fica embaçada. Parece que o leque de opções ou oportunidades está fechado somente para o problema. Você, como bom amigo, se oferece para levar um sorvete, assistir um filme, acompanhar em um programa para se distrair e até começar um exercício físico em conjunto.

Quando a distração é suficiente, o leque começa a se abrir e as oportunidades aparecem. Você se sente bem em perceber que ajudou seu amigo a sair de uma enrascada emocional.

Já pensou em fazer isso com você mesmo? Buscar a causa do problema, entender que você está no meio do furacão da dor, distrair-se consigo mesmo até encontrar mais opções do leque de oportunidades da vida?

Se percebe que está acima do peso ou abaixo, comece uma dieta. Se o seu trabalho te esgota, busque imediatamente uma alternativa. Se está cercado de pessoas que nada tem a ver com seus preceitos, mude ou se afaste.

Amizade em dia com… você mesmo

Imagino que todos nós queremos estar rodeados de pessoas legais, leves e alegres. Mas e a nossa própria presença? Como nos sentimos com ela? Pare e faça as seguintes perguntas para si:

  • Eu gostaria de poder ter um clone de aparência e personalidade para me acompanhar em um passeio?
  • Esse clone é legal?
  • Esse clone leva a vida leve?
  • Quais são os traços de personalidade que eu mais gosto nesse clone? E o que eu menos gosto?
  • Esse clone parece feliz consigo mesmo?
  • Eu gosto da presença desse clone?
  • Como esse clone me irrita?
  • Como esse clone me deixa feliz?

Se a ideia de ter um clone de aparência e personalidade te causa desconforto, atenção! Você pode estar com um sério problema de auto-estima. Acontece muito com quem diz uma frase aparentemente inocente: “às vezes, nem eu me aguento”. Se você não se aguenta, imagine as outras pessoas!

A melhor maneira de trabalhar a sua auto-estima é tendo uma conversa constante consigo, percebendo como é gostoso estar sozinho com sua presença. Afinal, você é e deve seu melhor amigo.

Antes de buscar companhia, sua presença deve ser o bastante para te alegrar. Aquele final de semana épico em um sítio com seus melhores amigos deve ser uma constante na sua vida: você consigo mesmo.

Estando satisfeito com sua própria presença dificilmente terá que buscar um paliativo para ser feliz. Afinal, já tem e é tudo que precisa!

Analista internacional, designer, estudante (sempre!) da conscienciologia e projeciologia e terapeuta Reikiana. Acredito que podemos criar um mundo mais humano e amoroso, se trouxermos essa mudança para o âmbito pessoal.