A importância do preço justo

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Atualmente, inúmeras pessoas visam comprar mais e mais produtos sob uma mesma ótica: a do preço baixo. As prateleiras de supermercados, vitrines de centros comerciais, anúncios na televisão e rádio mostram uma disputa clara de quem tem o menor preço, a melhor condição, etc. Na ótica do mercado, pela lei de oferta e demanda, até então estaria tudo certo e em prol do consumidor.

Existe, no entanto, um outro lado da moeda que muitas vezes é esquecido. E é esse esquecimento que pode agravar a nossa superexploração de mão de obra e matéria prima. O motivo é mais simples do que se pensa: para tornar um produto competitivo, as empresas tem que abaixar os custos de produção (além dos inúmeros outros custos por trás). Isso não ocorre só no Brasil – é um fenômeno global. As multinacionais buscam mão de obra barata na China, Índia, e em outros países super populosos, onde a oferta de trabalho é grande. As florestas e os recursos são extraídos à sua extinção, principalmente em nações com vasta área verde. A produção em larga escala é preferida por baratear custos, criando um lixo (não só eletrônico) muito além do esperado e suportado pela Terra.

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Pedido de ajuda (em inglês: “trabalho escravo, me ajude”) enviado junto a produto de site de compras chinês.

Não é raro amigos ou colegas de trabalho importarem roupas ou acessórios da China ou Coreia do Sul. Agora, chegamos ao ponto de ver pedidos de socorro embalados junto aos produtos. As ONGs estão desesperadas tentando proteger o meio ambiente da destruição pelo homem… tentando, também, proteger crianças do trabalho forçado.

Mais um pedido de ajuda. Em inglês "Me ajude, preso em fábrica ---".
Mais um pedido de ajuda. Em inglês “Me ajude, preso em fábrica —“.

Se conectarmos os pontos, é fácil entender que essa prática mundialmente conhecida de redução de custos leva a sérios danos ao meio ambiente e também à humanidade. Dumping, trabalho compulsório, economia mal feita em tecnologias que ajudariam a preservar o ambiente são algumas medidas tomadas por empresas que visam se enquadrar em meio à concorrência exagerada. E, claro, o mercado tem sua parcela de responsabilidade ao abominar o preço justo e acatar descontos, promoções, saldos e a lista infinita de condições “especiais”.

Quanto mais os consumidores preferirem produtos com preços muito abaixo daquilo que realmente custam, mais as grandes empresas se virão forçadas a cair em um ciclo negro para aguentar a concorrência.

É por essa e outras razões que prestigiar o trabalho duro, mas direto, de artesãos, artistas, profissionais independentes, entre outros, pode contribuir grandemente para a nossa realidade. Sendo beneficiados de forma direta pelo seu trabalho, essas pessoas podem se preocupar em usar recursos sustentáveis (que não deveriam ser diferenciais, mais obrigações na elaboração de um bem ou serviço) e empregar mão de obra qualificada.

O preço justo é aquele que paga a linha produtiva visando a preservação do meio ambiente e o bem estar do homem. Se o mercado fosse regulado por essa maneira, até mesmo a distribuição de renda seria mais equilibrada.

Vamos praticar o preço justo?

 

Analista internacional, designer, estudante (sempre!) da conscienciologia e projeciologia e terapeuta Reikiana. Acredito que podemos criar um mundo mais humano e amoroso, se trouxermos essa mudança para o âmbito pessoal.